Desafios no Atendimento Clínico da Pessoa Idosa e Novas Perspectivas no Processo Terapêutico no Contexto Pós-desenvolvimental

Autores

  • Miria Ribeiro Neto da Silva Mestre em Psicologia pela UFRRJ e Professora Auxiliar de Ensino Superior na UniSãoJosé.
  • José Carlos Fagundes da Silva Mestre em Psicologia pela UFRRJ e Professor Auxiliar de Ensino Superior na UniSãoJosé.
  • Débora Neves do Cairo de Lima Graduanda do curso de Psicologia na UniSãoJosé.

Resumo

O artigo aborda os desafios do atendimento clínico psicológico à pessoa idosa no Brasil e as novasperspectivas teóricas que vêm reconfigurando esse campo. Parte do crescimento populacional de pessoas com60 anos ou mais (cerca de 34 a 36 milhões, segundo o IBGE, 2022) para evidenciar que esse grupo permaneceuhistoricamente marginalizado na literatura e na formação clínica em Psicologia, herdeiro de um preconceito queremonta a Freud (1905), para quem indivíduos acima de 50 anos não seriam beneficiados pela psicanálise. Oobjetivo é analisar a trajetória recente e preconceituosa da clínica com idosos e discutir os eixos que sustentamuma escuta qualificada no contexto pós-desenvolvimental. Metodologicamente, trata-se de um estudo teóricoreflexivo, de natureza ensaística, construído por revisão narrativa da literatura nacional e internacional. Osautores articulam teorias clássicas do envelhecimento — teoria dos papéis e teoria da continuidade (Atchley,1989) —, o modelo dinâmico de ajustamento à aposentadoria baseado em recursos (Wang; Henkens; vanSolinge, 2011) e evidências empíricas de estudos longitudinais, como a meta-análise sobre aposentadoriainvoluntária (RR = 1,31; IC 95% 1,13–1,51 para depressão) e a análise do estudo SHARE (2004–2020), que apontaredução de 9% a 11% no risco de depressão nos três anos seguintes à transição. A discussão organiza-se em trêseixos clínicos: a reconfiguração identitária diante do fim da vida laborativa e o luto simbólico não reconhecido;a perda de autonomia, com o estigma da incapacidade decisória e o ciclo bidirecional entre dependência edepressão; e a fragmentação das relações afetivas, com destaque para a viuvez como preditora de depressão eansiedade. As principais conclusões indicam que a escassez de produção teórica específica e o estigma culturalque cerca a busca de idosos por cuidado psicológico constituem os maiores obstáculos à consolidação de umaprática clínica sólida e à sua inserção curricular. Há uma demanda potencial crescente — cerca de um terço dapopulação idosa apresenta transtornos mentais, com prevalência de sintomas depressivos de 20% a 25% noBrasil —, mas a procura efetiva por serviços psicológicos permanece baixa e desproporcional à necessidade,configurando demanda reprimida. Os autores defendem que o manejo clínico exige escuta atenta eteoricamente sustentada das especificidades do estágio pós-desenvolvimental e que a ampliação do acesso viapolíticas públicas (SUS) e o amparo legal do Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003) são vetores paranaturalizar o cuidado psíquico nessa faixa etária.

Biografia do Autor

Miria Ribeiro Neto da Silva, Mestre em Psicologia pela UFRRJ e Professora Auxiliar de Ensino Superior na UniSãoJosé.

Mestre em Psicologia pela UFRRJ e Professora Auxiliar de Ensino Superior na UniSãoJosé.

José Carlos Fagundes da Silva, Mestre em Psicologia pela UFRRJ e Professor Auxiliar de Ensino Superior na UniSãoJosé.

Mestre em Psicologia pela UFRRJ e Professor Auxiliar de Ensino Superior na UniSãoJosé.

Débora Neves do Cairo de Lima, Graduanda do curso de Psicologia na UniSãoJosé.

Graduanda do curso de Psicologia na UniSãoJosé.

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Publicado

03-11-2026